Observação sobre o desenho da casa de Mozart

Revista Espírita, setembro de 1858

Um dos nossos assinantes nos escreveu o que segue, a propósito do desenho que publicamos em nosso último número:

“O autor do artigo disse, página 231: A clave de sol aí está freqüentemente repetida, e, coisa bizarra, jamais a clave de fa. Pareceria que os olhos do médium não teriam percebido todos os detalhes do rico desenho que sua mão executou, porque um músico nos assegurou que é fácil reconhecer, direita e invertida, a clave de fà na ornamentação da base do edifício, no meio da qual mergulha a parte inferior do arco de violino, assim como no prolongamento dessa ornamentação à esquerda da ponta do grande alaúde. O mesmo músico pretende, por outro lado, que a clave de uf, antiga forma, figura, ela também, sobre as lajes próximas da escada da direita.”

Nota. – Inserimos com tanto mais bom grado essa observação, quanto ela prova até que ponto o pensamento do médium permaneceu estranho à confecção do desenho. Examinando as partes assinaladas, reconhece-se neles, com efeito, claves de fá e de uf com as quais o autor ornou seus desenhos sem que se possa disso duvidar. Quando é visto no trabalho, concebe-se facilmente a ausência de toda concepção premeditada e toda vontade; sua mão, arrastada por uma força oculta, faz no lápis ou no buril o andamento mais irregular e o mais contrário aos preceitos mais elementares da arte, indo, sem cessar, com uma rapidez estranha de um lado ao outro da prancha sem deixá-la, para retornar cem vezes ao mesmo ponto; todas as partes são assim começadas e continuadas ao mesmo tempo, sem que nenhuma seja acabada antes de empreender uma outra. Disso resulta, à primeira vista, um conjunto incoerente, do qual não se compreende o fim senão quando tudo está terminado. Esse andamento singular não é o próprio do senhor Sardou; vimos todos os médiuns desenhistas procederem do mesmo modo. Conhecemos uma senhora, pintora de mérito e professora de desenho, que goza dessa faculdade. Quando ela desenha como médium, opera, malgrado ela, contra as regras, e por um procedimento que lhe seria impossível seguir quando trabalha sob a sua própria inspiração e em seu estado normal. Seus alunos, disse-nos ela, ririam muito se lhes ensinasse a desenhar à maneira dos Espíritos.

Allan Kardec

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