Conversas familiares de além túmulo – Méhémet Ali

Revista Espírita, novembro de 1858

(SEGUNDA CONVERSA)

1. Em nome de Deus Todo-poderoso, peço ao Espírito de Méhémet-Ali consentir em se comunicar conosco. – R. Sim; eu sei por quê.

2. Prometestes voltar entre nós para nos instruir; sereis bastante bom para nos escutar e nos responder? – R. Não prometi; não estou comprometido.

3. Seja; em lugar de prometi, coloquemos que nos fizestes esperar. – R. Quer dizer, para contentar vossa curiosidade; não importa! a isso me prestarei um pouco.

4. Uma vez que vivestes ao tempo dos Faraós, poderíeis nos dizer com que objetivo foram construídas as Pirâmides? – R. São sepulcros; sepulcros e templos: ali ocorriam as grandes manifestações.

5. Tinham elas também um fim científico? – R. Não; o interesse religioso absorvia tudo.

6. Era preciso que os Egípcios, desde aquele tempo, fossem bem avançados nas artes mecânicas para cumprirem trabalhos que exigiam forcas tão consideráveis. Poderíeis nos dar uma idéia dos meios que empregavam? – R. Massas de homens gemeram sob o peso dessas pedras que atravessaram séculos: o homem era a máquina.

7. Que classe de homens se ocupavam com esses grandes trabalhos? – R. A que chamais o povo.

8. O povo estava no estado de escravidão, ou recebia um salário? – R. A força.

9. De onde vinha, aos Egípcios, o gosto de coisas colossais antes que das coisas graciosas que distinguiam os Gregos, embora tendo a mesma origem? – R. O Egípcio estava ferido com a grandeza de Deus; procurava igualar-lhe ultrapassando suas forças. Sempre o homem!

10. Uma vez que fostes sacerdote nessa época, gostaríeis de nos dizer alguma coisa da religião dos antigos Egípcios. Qual era a crença do povo com respeito à Divindade? – R. Corrompidos, acreditavam em seus sacerdotes; eram deuses para eles, estes que os mantinham curvados.

11. Que pensavam do estado da alma depois da morte? – R. Criam naquilo que lhe diziam os sacerdotes.

12. Os sacerdotes, sob o duplo ponto de vista de Deus e da alma, tinham idéias mais sadias
que o povo? – R. Sim, tinham a luz nas mãos; ocultando-a aos outros, ainda a viam.

13. Os grandes do Estado partilhavam as crenças do povo ou a dos sacerdotes? – R. Entre os dois.

14. Qual era a origem do culto prestado aos animais? – R. Queriam desviar o homem de Deus, rebaixando-o sob ele mesmo, dando-lhe por deuses seres inferiores.

15. Concebe-se, até um certo ponto, o culto aos animais úteis, mas não se compreende o de animais imundos e nocivos, tais como as serpentes, os crocodilos, etc.! – R. O homem adora o que teme. Era um jugo para o povo. Os sacerdotes podiam crer em deuses feitos por suas mãos!

16. Por qual bizarria adoravam, ao mesmo tempo, o crocodilo assim como os répteis, e o mangusto e o íbis que os destruíssem? – R. Aberração do Espírito; o homem procura, por toda parte, deuses para ocultar-se aquilo que é.

17. Por que Osiris era representado com uma cabeça de gavião, e Anubis como uma cabeça de cão? – R. O Egípcio gostava de personificar sobre claros emblemas: “Anubis era bom; o gavião, que dilacera, representava o cruel Osiris.

18. Como conciliar o respeito dos Egípcios pelos mortos, com o desprezo e o horror que tinham por aqueles que os enterrassem e os mumificassem? – R. O cadáver era um instrumento de manifestação: o Espírito, segundo eles, voltava no corpo que havia animado. O cadáver, um dos instrumentos do culto, era sagrado, e o desprezo perseguia aquele que ousasse violar a santidade da morte.

19. A conservação de corpos dava lugar a manifestações mais numerosas? – R. Mais longas; quer dizer que o Espírito voltava por mais longo tempo, tanto quanto o instrumento fosse mais dócil.

20. A conservação de corpos não tinha também uma causa de salubridade, em razão dos trasbordamentos do Nilo? – R. Sim, para aqueles do povo.

21. A iniciação nos mistérios se fazia, no Egito, com práticas tão rigorosas quanto da Grécia? – R. Mais rigorosas.

22. Com qual objetivo impunha aos iniciados condições tão difíceis de serem cumpridas? – R. Para não ter senão almas superiores: aquelas sabiam compreender e se calar.

23. O ensino dado nos mistérios tinha por objetivo unicamente a revelação de coisas extrahumanas, ou também ali se ensinavam os preceitos da moral e do amor ao próximo? – R. Tudo isso era bem corrompido. O objetivo dos sacerdotes era dominar: não era de instruir.

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